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A Jóia de nossas vidas! Chafic Jbeili - www.chafic.com.br Eu considero a mulher o ser humano mais fascinante que existe dentre todas as espécies. Nós homens nascemos de uma mulher, somos cuidados na maior parte do tempo por uma mulher; na educação infantil somos instruídos (sobre tudo o que precisamos saber pelo resto da vida) por uma mulher; crescemos e nos apaixonamos por uma mulher, nos casamos com ela e fazemos de tudo para conquistar-lhe a admiração pelos nossos feitos. Segundo a Bíblia, depois que Deus criou a luz, o céu, fez divisão entre terra e oceano, criou os animais, as plantas, as aves e, por penúltimo o homem, percebeu Deus que nada do que havia criado seria suficientemente capaz de fazer o homem se sentir feliz, completo e realizado, nem mesmo a Sua presença. Faltava o toque da graça em toda Sua criação! Foi então que Deus teve a magnífica idéia de criar a mulher, para que o homem, apesar de estar no paraíso perfeito e na sublime companhia de Deus, mesmo com tudo isto, não se sentisse só e infeliz! Os evolucionistas que me perdoem o teor criacionista de minha reflexão, ainda mais às vésperas dos 200 anos de Darwin, mas pensem comigo: Não é porque sou homem e heterosexual que afirmo ser a mulher o ser mais fascinante que existe no mundo, mas porque acredito que a humanidade e o planeta Terra, não tivessem ao menos uma única mulher, seriam como o céu sem estrelas; o mar sem as marés; a lua sem suas fases; a internet sem computadores; um jardim palaciano sem flores... Tudo seria um nada, um vazio inóspito e sem graça, sem movimento e sem qualquer novidade. Um lugar que por mais perfeito que fosse ainda assim, sem a mulher, seria capaz de fazer-nos sentir infeliz, incompleto! A mulher é o remédio homeopático mais poderoso e totalmente sem contra-indicações para todos os males do homem, inclusive a solidão. Isto é tão verdadeiro que não há nada que substitua uma mulher na vida de um homem, a não ser uma outra mulher! Eu sou fascinado pelas mulheres de todas as raças, de todas as cores, de todos biotipos, de todas as culturas. Das mais pobres às mais ricas, das mais famosas às mais incógnitas. Das mais caladas às mais falantes. Das mais leigas às mais instruídas. Nada me machuca mais do que ver uma mulher que não gosta de si mesma; que não se arruma; que não tenha um ritual de vaidade, por mais breve que seja. Nada me machuca mais do que pensar uma mulher que não se apronta e não ajeita o cabelo, nem que seja para dormir! Esta declaração não é sublimação de perversão, pois se fosse não teria deixado passar dos limites do divã que frequento, posso lhe garantir! Esta declaração é uma homenagem consciente à minha mãe, à minha esposa, às minhas filhas, à minha irmã, às minhas cunhadas, às minhas ex-chefes, às minhas ex-namoradas, às minhas alunas, às minhas amigas, colegas e à você também; ou porque é mulher, ou porque compartilha comigo a mesma opinião. Tanto faz! É uma homenagem a todas mulheres da minha vida, porque me fizeram admirá-las pelo esforço diário em me fazer feliz e me orientar a ser o aluno, o professor, o pai, o filho, o irmão e o marido que sou hoje. Por isto, não pense em você mesma como gorda, magra, feia, desajeitada, estriada, flácida, cicatrizada, siliconada ou imperfeita. Ao contrário, pense que não fosse você, ainda que um homem estivesse no mais perfeito paraíso, conversando todos os dias cara a cara com Deus, ainda assim ele - o homem - se sentiria só, incompleto e infeliz sem você (como pode?). Por você mulher, homens de verdade constroem castelos; destroem cidades; conquistam reinos; trabalham dois, três turnos; roubam rosas; largam suas famílias de origem; constroem todos os tipos de monumentos, reais ou imaginários. Por uma mulher, o imperador da Índia Shah Jahan mandou construir em memória de sua esposa, Aryumand Banu Begam, o Taj Mahal. Jahan chamava sua esposa de 'A Jóia de meu Palácio'. Quando nós homens, seja lá em qual papel for, fazemos estrepolias para chamar sua atenção e consquistar seu coração é como se estivéssemos chamando-a: 'A Jóia da minha vida', porque é isto que vocês são! A jóia de nossas vidas! Você mulher é o toque da Graça; a pitada de mestre com que Deus sabiamente temperou o mundo e a humanidade, depois de tê-lo criado com rios, serras, cachoeiras e toda beleza que conhecemos nas fotos e na TV. Para o homem, nada nunca será o bastante sem a presença de uma mulher. Nem mesmo o paraíso ou a companhia de Deus! Eu ainda vou escrever algo mais substancial sobre as mulheres. Isto foi só um mero devaneio, uma espécie de ensaio de tudo aquilo que penso sobre vocês, compartilhado nesta reflexão do dia! Eu não sei onde irá ou com quem irá estar neste final de semana, mas apronte-se e comporte-se como "A Jóia de nossas vidas" e tenha um excelente final de semana! Chafic www.chafic.com.br
Psicopedagogia e desestrutura sócio-familiar Chafic Jbeili – www.chafic.com.br
Escrever sobre este tema foi mesmo desafiador. Vasculhei várias épocas da história e revirei algumas pesquisas que realizei anos atrás sobre algumas tradições culturais. Fiz uma revisão nos fundamentos do espírito democrático enfatizado na tese político-social do Barão de Montesquieu, por meio de sua obra “O espírito das leis”, pois suas idéias inspiraram a Revolução Francesa fazendo prevalecer em quase todos os sistemas governamentais os princípios do Estado de Direito Democrático.
Por incrível que pareça a mudança de Monarquia e Imperialismo para Democracia impactou as formas de governo das famílias na idade média e, desde então, o “Chefe” de família perdeu sua soberania patriarcal para o sistema de gestão familiar compartilhada, seguindo o novo modelo de governo de sua pátria.
No Estado Democrático, o poder foi dividido em três: executivo, legislativo e judiciário. Nas famílias também: Pai, mãe e filhos agora compartilham poderes e direitos iguais. Embora mais justo e ideal, a tripartição tanto do poder estatal quanto do poder familiar não deixa de ter seus efeitos colaterais, ainda mais quando há sobreposição de funções e papéis, como nos casos de famílias monoparentais.
Pelo menos agora há mais pessoas em quem colocar a culpa quando algo sai errado no Governo ou na família. Há mais possibilidades de justificativas quando governantes e pais não querem assumir responsabilidades, transferindo-as aos membros do próprio Governo ou da própria família e, variavelmente, até para os professores e sistema educacional.
Enfim, vários foram os fatores que ao longo da história abalaram e até os dias atuais continuam abalando as estruturas familiares. Desde mudanças climáticas, guerras, transição de governos, recessões, separações, disputas por terras e heranças, mortes, álcool, drogas, doenças, miséria, religião, bancarrota, modismos e até mesmo disparidades culturais entre cônjuges causaram e ainda causam, de alguma forma, impacto negativo na estrutura das famílias; de modo que não há como proteger cabalmente qualquer grupo familiar, nem eximí-lo de sofrer ataques do que quer que seja.
Por alguns instantes, no calor da reflexão, cheguei a pensar que a família estaria entrando em extinção. Mas não é bem isto! Na verdade, a família está sofrendo um processo de metamorfose e em algum momento se estabilizará em seus novos e variados formatos. Enquanto isto, não se pode exigir da família o que não se exigiria de uma criança em processo de desenvolvimento. Não se pode impedir mudanças, transformações, transmutações da célua familiar. A natureza humana sempre encontra um meio de se organizar no meio da bagunça, de forma que a vida é uma alternância entre caos e ordem.
Mas o que fazer com as crianças com dificuldades de aprendizagem e professores com dificuldades de ensinagem, enquanto estatísticas apontam a desestrutura familiar como principal causa do fracasso escolar?
Certa vez uma criança brincava na sala com seu quebra-cabeça geográfico. Ela já havia montado e desmontado várias vezes aquele brinquedo, cujo tema era o nosso lindo e grande planeta azul, girando suave no infinito Universo.
O pai, em seu dia de folga, se ofereceu para brincar com a criança e começou a encaixar as peças em processo contínuo de tentativa e erro. Depois de alguns momentos, o pai diz para o filho que parecia haver peças faltando. Foi quando a criança pegou as peças, virou uma a uma e em menos de um minuto montou todo o quebra cabeça, pelo verso. Desvirou tudo com cuidado e lá estava o Planeta Terra, perfeita e extraordinariamente montado. Boquiaberto, o pai pergunta ao filho como ele havia conseguido realizar aquela proeza, e o menino respondeu:
- Pai, é muito fácil! No verso tem a figura de um homem. Arrume primeiro o homem do lado de cá que o planeta se ajeitará automaticamente do lado de lá. Fantástico! Porque não havia pensado nisto antes?
Da história do quebra-cabeça podemos tirar pelo menos uma lição primordial sobre o papel do psicopedagogo no contexto da desestrutura familiar:
Devemos nos ocupar em “arrumar” o homem, a criança, o ser aprendente que nos chega para avaliações, antes de almejar inócuamente reestruturar sua família. Mesmo porque psicopedagogo não é terapeuta de família e, portanto, deve se limitar a orientar pais e responsáveis aos procedimentos necessários para potencializar e reforçar processos ensino-aprendizagem. Identificada necessidade de intervenção em outras especialidades, proceda encaminhamento a tantos profissionais quanto forem necessários, mantendo sempre o coração e a mente tranqüilos de que está fazendo o que é certo e adequado para a saúde de seu cliente.
Que outras lições você pode tirar desta história?
Sabe-se que o psicopedagogo é o profissional multidisciplinar que diagnostica e intervém nas dificuldades e nas facilidades de aprendizagem ou ensinagem. Atua no campo clínico diretamente com pessoas detentoras de alguma queixa correlacionada ao processo ensino-aprendizagem; atua também junto às organizações no âmbito institucional. A psicopedagogia é a ciência da profilaxia e deve trabalhar preventivamente, antes que seja necessário intervir.
Na ótica da psicopedagogia institucional, o psicopedagogo precisa ser adepto da visão sistêmica e cuidar para que o contexto ensino-aprendizagem esteja carregado de valores e crenças que fortalecerão educandos, enquanto pessoas, e os prepararão para fortalecer suas famílias atuais e, principalmente, aquelas células familiares que eles irão formar ou integrar no futuro. A família é o reflexo de seus membros! Membros saudáveis, família saudável. Promova ações educacionais na escola que valorizam a família, as virtudes e o respeito mútuo.
À Educação também compete formar a pessoa para o exercício da cidadania, logo a Escola não pode se eximir da responsabilidade em lecionar valores sociais e isto não quer dizer que estará assumindo papéis que são prerrogativas de pais e mães. Aproveite toda oportunidade que tiver para transmitir valores morais e cívicos. Alguém alertou: "Eduque as crianças para que não seja preciso punir os homens". Eduque as crianças para que no futuro haja menos familias desestruturadas.
Não deixe falar mal de casamento, de igreja, de homens e mulheres. Por pior que eventualmente tenham sido suas experiências, estas instituições ainda permeiam nosso inconsciente coletivo e têem impacto direto sobre a qualidade da estrutura familiar.
Enquanto educadores e educacionistas que somos, defendemos a tese de que somente a Educação pode mudar a condição social do homem e transformá-lo em uma pessoa melhor preparada para a vida, mas o que estamos fazendo para provocar esta transformação? Lecionando disciplinas curriculares isentas de teor moral, sob a desculpa de que este é o papel da família? Formamos exímios pedagogos, matemáticos, engenheiros, advogados, médicos, psicopedagogos, mas esquecemos o cidadão, a pessoa que vem antes do pedagogo, do matemático, do engenheiro, do advogado, do médico, do policial, do político...
Cada educando passa em média 14 anos de sua vida em instituições escolares e acadêmicas. Assim, cada educador e cada psicopedagogo, entre outros tantos profissionais que estão na Área da Educação lidando com aprendentes oriundos de todos os tipos de famílias, devem primar por incluir valores morais em suas ações didáticas, pedagógicas ou interventivas.
Se crianças estão crescendo sem referências adequadas em suas células familiares desestruturadas, que não seja a Escola, nem professores que as privarão de tais referenciais, tão imprescindíveis para a estruturação e formação do cidadão de bem e, por conseguinte, das famílias adequadamente estruturadas e preparadas para influenciar positivamente seus membros.
Espero ter chegado perto de suas expectativas sobre o tema escolhido!
Abraços,
Chafic
Oi Chafic, Na medida em que lia o seu texto, aflorava-me a sensação, quase que uma confirmação, de quão passivos fomos desde épocas remotas e ainda somos até os dias atuais. Você evidencia muito bem as transformações que impulsionaram ou contribuíram para o novo modelo de família; os demais fatores que possivelmente, causaram ou podem causar a desestrutura familiar, assim como, insere o profissional educador, psicopedagogo no seu papel, estes, antes de tudo como seres humanos. Tudo de forma bastante contextualizada e interligada com todo universo educacional. A abordagem é clara, compreensiva e bem fundamentada, ...excelente!
Porém, ainda assim, a sensação de passividade permanece inalterada, uma vez que reforça a idéia de que o ranço de um antigo modelo familiar continua impregnado até os dias atuais, ou seja, evidenciado na dependência decrépita, caduca que, nós seres humanos, temos de ficar sempre à espera do outro. Daí ações e falas comumente presenciadas, como: " Isso não é papel meu. Não posso fazer nada. Uma andorinha só não faz verão. A culpa não é minha. Não depende só de mim"... Desta forma, acredito que, enquanto ser humano e família reforçaremos ou contribuiremos para o desajuste familiar e fortemente também, para o fracasso escolar dos nossos filhos, sobrinhos, etc, e como profissionais, tenderemos para o desequilíbrio próprio e do outro.
Gostei bastante da enriquecedora história do pai e filho que montava o seu quebra-cabeça geográfico e que nos conduz a uma reflexão enquanto pais, profissionais, onde além da importantíssima lição já comentada por você sobre o papel do psicopedagogo no contexto da desestrutura familiar, vale ressaltar, que em qualquer papel em que esteja atuando, nunca se deve subestimar a capacidade e inteligência deste ser aprendiz que na maioria é negligenciado pela escola , pelos próprios pais e pela sociedade. PARABÉNS!!! Contemplou sim, acredito que não somente a expectativa da autora do tema, mas com certeza de todas nós leitoras. Abraços, Mércia
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Imigrantes do Amor Chafic Jbeili
Algumas pessoas largam sua pátria, seu solo, sua terra, sua casa, seu trabalho, sua cultura, sua família em busca de melhores oportunidades de emprego, de renda e de vida em uma terra que às vezes só conheceu de ouvir falar. Mas não são dessas bravas e muitas até bem sucedidas pessoas que quero falar agora. Quero falar dos imigrantes do amor, pessoas que se desencantaram com seus atuais parceiros e incucam aventurarem-se na busca de alguém imaginativamente especial, sem igual, perfeito.
Essas pessoas largam seus amigos, seus costumes, suas manias, suas rotinas, seus sonhos e até seus atuais parceiros para irem em busca de melhores oportunidades de afeto, de carinho e de relacionamento a dois; largam tudo por amores que às vezes só ouviram falar nos contos de fadas, nas novelas ou nos romances de Hollywood. Sim! É dessas pessoas que quero falar.
Esse tipo de pessoa se coloca a mercê do próprio coração nesse barco ilusório do amor. Imagina que tudo será diferente com outra pessoa e que não haverá mais desprezo, repulsa ou brigas e desentendimentos. Larga tudo que tem em busca daquilo que jamais encontrará: a própria felicidade na presença do outro. Assim, transfere para o outro o motivo de sua felicidade e parte iludido, obstinado como quem tem um mapa do tesouro nas mãos.
O imigrante do amor tem na mente a certeza de que sua felicidade está na pessoa que ainda encontrará e acaba por deixar a quem tem para planejar ser feliz no futuro com outro alguém. Em breve só lhe restará lamentar o passado e lembrar saudoso daquele(a) que deixou. Com menos esforço conquistaria extraordinariamente quem já está a seu lado.
O imigrante do amor parece escutar a voz de uma amada perfeita lhe chamando o tempo todo e isso não o deixa dormir nem descansar. Parece que ele vê realmente sua amada às vezes sedutora, às vezes vitimada e em ambos os casos rompe motivado em sua jornada de busca alucinada como quem parte para o salvamento ou o resgate de alguém que ansiosamente o aguarda. É a certeza inconsciente de que este alguém está a lhe esperar que faz o imigrante do amor persistir na sua aventura. É a esperança de encontrar nesse alguém ideal a felicidade que tanto almeja para si. É a expectativa de ver nesse alguém o atual parceiro sem defeitos.
Mal sabe o imigrante do amor que poderá estar deixando quem realmente o ama para se entregar a quem poderá lhe fazer sofrer. Que certeza infeliz esta de pensar que a sua felicidade está nas mãos daquela(e) que pode ser o seu/sua algoz. Que armadilha da imaginação! Que emboscada do coração! Pobre de quem deixa o seu bem-querer para dedicar-se àquela(e) que mal lhe conhece e que talvez nunca lhe pertencerá, quiçá querirá tal envolvimento. Como pode alguém gostar de quem não é seu e temer perder aquilo que ainda não lhe pertence? O imigrante do amor faz isto o tempo todo!
Largar uma pátria amada ou um amor declarado para aventurar-se ser (mal) tratado como estranho estrangeiro numa terra forasteira ou num coração desconhecido é coisa de imigrante louco, pois se não encontrar a prosperidade e a felicidade dentro de si, dificilmente encontrará em qualquer pátria ou em qualquer coração que lhe ofereçam abrigo, por melhor que estes possam ser. Quando muito o imigrante do amor será tratado como morto, pois a pessoa supostamente ideal talvez prefira ficar apenas com a lembrança de alguns bons momentos ao invés de querer ficar com aquele que é lembrado, mesmo que vivo e disponível.
Portanto, apaixone-se por quem é apaixonado por ti e dedique-se a quem é dedicado a ti. Não acredite mais em pessoas especiais, mas em momentos especiais com pessoas habituais. Então, crie tais momentos com quem já está a seu lado, mesmo que distante!
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Janelas da Vida Chafic Jbeili
Conto uma história de uma jovem que morava em uma casa simples entre o vale e a colina. Sempre que podia, essa jovem se dirigia para os fundos da casa e ficava debruçada na janela olhando as tralhas que acumulavam no quintal. Sua visão era limitada e sombria, pois o fundo da casa dava para uma parede de pedras e ali o sol mal conseguia iluminar. Vez ou outra os olhos da jovem acompanhavam atentamente os movimentos da aranha e das cobras que habitavam as pedras.
Com o passar dos anos os ânimos e a vitalidade dessa jovem iam desfalecendo pouco a pouco e seu semblante era entristecido, até o dia em que um senhor peregrino andava errante por aquelas bandas e resolveu pedir um pouco de água. Enquanto bebia e descansava o homem resolveu indagá-la, com todo respeito, o motivo de sua aparência triste e sem vida.
Ela dizia: “Não é alegre o meu coração. Passo os meus dias olhando as tralhas que se acumularam em meu quintal ao longo dos anos e agora minha companhia são as pedras, as aranhas e as peçonhentas cobras da montanha. Venha meu senhor e veja de minha janela os motivos de minha angústia e de minha tristeza. Tenho ou não tenho razão de estar assim?”.
Concordando, o homem perguntou-lhe se naquela casa havia mais janelas e a moça respondeu afirmativamente e foi logo mostrando cada uma delas. Ao chegar à janela que dava para o vale, o homem avistou uma paisagem deslumbrante, bem característica de um vale cinematográfico, com rio, cascata, árvores floridas, águias cantando em revoada no céu e um lindo por do sol no límpido e extenso horizonte. O infinito era um convite à imaginação!
A própria jovem ficou fascinada com tamanha beleza e enquanto seu semblante mudava radical e instantaneamente o fôlego de vida ia se restabelecendo em sua expressão. Ela mesma não parava de se questionar porque havia adquirido o hábito de permanecer por tanto tempo debruçada na tenebrosa janela dos fundos e agradeceu o velho por sua acidental, mas oportuna presença.
O homem então sorrindo entendeu o motivo e a razão de seu incidente e agradeceu a jovem que sem entender perguntou como podia ele se alegrar com a própria falta de sorte, já que estava ali por um erro de direção. O velho sábio respondeu: Às vezes, acontecem coisas tão maravilhosas quando tudo dá errado que não teriam acontecido se tudo tivesse dado certo.
Moral da história: A nossa vida é como aquela casa da colina: Existe a janela que dá para um passado sombrio, com algumas pessoas que nos causaram dores; com amargas lembranças das conquistas quase realizadas; das perdas vivenciadas, entre outras mazelas da vida. Essas são as nossas tralhas mentais, que naturalmente se acumulam à medida que a vida passa!
Mas em nossa vida também existe a janela da frente, que dá para um horizonte belíssimo, extenso, cheio de oportunidades, de grandes possibilidades, de novas realizações e que renovam nossas esperanças dia a dia, revigorando os ânimos e tornando nossas expressões cintilantes. Cabe a nós escolher em qual janela queremos permanecer debruçado.
Eu já fiz a minha escolha e quero viver fascinado curtindo o meu presente e idealista em relação ao meu futuro. Do passado só quero a experiência que me fortaleceu e me fez ser quem eu sou hoje. E você? Em qual janela escolherá ficar? A que te adoece ou a que te revigoram os ânimos? Então, sempre que uma lembrança ou pensamento ruim lhe vier à cabeça experimente mudar de janela!
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